Lula e Flávio Bolsonaro trocam farpas e apresentam propostas em debate da Band
Candidatos discutiram segurança pública, saúde, economia e jornada de trabalho, trocaram acusações e apresentaram propostas para o país a uma semana da votação.
Flávio e Lula ficam frente a frente durante o encontro na Band. Crédito: Renato Pizzutto/Band
Na noite deste domingo (18), o Grupo Bandeirantes de Comunicação (Band) promoveu o primeiro debate do segundo turno entre os candidatos à Presidência da República: o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Em clima de tensão, marcado por acusações mútuas de corrupção, o debate abordou temas centrais para a população, como segurança pública, saúde, economia e jornada de trabalho.
O encontro ocorreu a uma semana da votação decisiva para a Presidência da República, prevista para o próximo domingo, 25 de outubro.
Segurança pública e legislação penal
A segurança pública abriu o debate e permaneceu como um dos principais pontos de divergência entre os candidatos.
Flávio Bolsonaro (PL): prometeu declarar “guerra ao narcoterrorismo” e reclassificar facções como o Comando Vermelho (CV), o Primeiro Comando da Capital (PCC) e as milícias como organizações narcoterroristas. Entre suas propostas, defendeu a redução da maioridade penal para 14 anos em casos de crimes hediondos, o fim do benefício da saída temporária de presos, conhecido como “saidinha”, e a implementação do projeto “Smart Brasil”, com câmeras para vigilância urbana.
Lula (PT): defendeu a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública no Congresso Nacional, com o objetivo de garantir a cooperação entre União, estados e municípios, além da criação do Ministério da Segurança Pública. Sobre a saída temporária, defendeu a manutenção do benefício para detentos do regime semiaberto que apresentem bom comportamento, ressaltando as restrições aplicáveis a condenados por crimes hediondos. O presidente também destacou o programa Celular Seguro.
Saúde pública e SUS
A gestão da saúde pública e o combate às filas de atendimento também estiveram entre os temas discutidos pelos candidatos.
Flávio Bolsonaro (PL): apresentou a proposta de um “SUS Padrão Einstein” e indicou o médico Claudio Lottenberg para assumir o Ministério da Saúde em um eventual governo. Também defendeu a criação de um prontuário eletrônico único, vinculado ao Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), para integrar dados e exames e ampliar o uso da telemedicina.
Lula (PT): questionou se o modelo sugerido por Flávio representaria uma privatização indireta do Sistema Único de Saúde (SUS). O presidente relembrou os impactos da pandemia de Covid-19 e defendeu a ampliação do programa Mais Médicos, a realização de mutirões de cirurgias e a oferta gratuita de medicamentos de uso contínuo.
Economia, custo de vida e escala 6x1
Os impactos da economia no orçamento dos trabalhadores foram destaque no bloco dedicado ao desenvolvimento social.
Economia e renda
Flávio Bolsonaro defendeu um ajuste fiscal baseado em cortes no Orçamento, a renegociação das dívidas das famílias e a criação do chamado “Ministério da Prosperidade”. Lula, por sua vez, argumentou que a recuperação econômica depende da circulação de renda na base da sociedade. Para sustentar sua posição, citou a valorização do salário mínimo acima da inflação, os incentivos aos microempreendedores individuais (MEIs) e os investimentos na indústria.
Fim da escala 6x1
Questionado sobre sua mudança de posicionamento no Senado — onde votou a favor do fim da escala 6x1 após ter se declarado contrário à proposta de emenda à Constituição (PEC) sobre o tema —, Flávio Bolsonaro justificou a mudança afirmando ter ouvido as demandas dos trabalhadores. Lula ironizou o recuo do adversário e reafirmou seu compromisso com os direitos trabalhistas.

Crédito: Renato Pizzutto/Band
Troca de acusações e desafio sobre os sigilos
O debate também foi marcado por confrontos verbais e cobranças de esclarecimentos sobre suspeitas e investigações.
Flávio Bolsonaro (PL): cobrou explicações sobre declarações da empresária Roberta Luchsinger e sobre menções ao filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
Lula (PT): rebateu as acusações, afirmando que cabe às autoridades competentes conduzir as investigações. Em seguida, cobrou explicações de Flávio sobre o financiamento de R$ 134 milhões do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro, e mencionou a atuação de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, nos Estados Unidos.
Desafio sobre os sigilos: diante das acusações mútuas, Lula desafiou os dois a abrirem seus sigilos bancários e telefônicos, assim como os de seus familiares, perante a Justiça Eleitoral antes da votação. Flávio declarou não ter nada a esconder.
O debate completo está disponível no canal Band Jornalismo no YouTube.

Crédito: Renato Pizzutto/Band
Próximo debate
Na última semana da campanha eleitoral, está previsto mais um debate entre os candidatos à Presidência da República, na próxima sexta-feira (23), com transmissão da TV Globo.
O encontro será exibido em diferentes plataformas: na TV aberta, pela TV Globo; na TV por assinatura, pela GloboNews; no portal G1; no serviço de streaming Globoplay; e na rádio CBN.
O debate está previsto para começar às 21h20, no horário de Brasília.












