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Flávio Bolsonaro lidera em 86% das zonas eleitorais sob domínio e influência da milícia no 1º turno

Atualizado em 16/10/2026 às 16:10, por Juan Lima.

Candidato a presidência da República, Senador Flávio Bolsonaro (PL) se pronunciando para a imprensa cercado de seus aliados e apoiadores em Brasília, após o resultado do 1° turno das eleições

Crédito: Wilton Junior/Estadão

Um cruzamento entre dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o mapeamento de áreas sob domínio de grupos armados no Rio de Janeiro revelou um retrato expressivo no cenário do primeiro turno das eleições presidenciais na capital fluminense. O candidato do PL, Flávio Bolsonaro, foi o mais votado em 86,2% dos locais de votação situados em áreas controladas ou sob influência de milícias no município. ​Ao todo, o parlamentar liderou em 268 dos 311 pontos de votação dentro desses territórios. Seu principal adversário na disputa nacional, o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi o vencedor em apenas 43 desses locais, com vantagem concentrada na Zona Oeste.

​Em números absolutos, as urnas localizadas nas zonas dominadas ou influenciadas pela milícia — concentradas majoritariamente na Zona Oeste da cidade — renderam cerca de 440 mil votos a Flávio Bolsonaro, contra 318 mil votos destinados a Lula.

​A diferença obtida nesses territórios (122 mil votos) corresponde a quase 89% de toda a vantagem de 137 mil votos que Flávio obteve sobre Lula no total do município do Rio. Fora do perímetro catalogado como sob influência do paramilitarismo, a margem entre ambos foi bem mais estreita, ficando próxima de 15 mil votos.

​O mapeamento territorial utilizado nas análises é do Mapa de Grupos Armados, elaborado pelo Instituto Fogo Cruzado em parceria com o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (GENI-UFF).

​O que dizem os especialistas

​Analistas apontam que a distribuição e a concentração de votos descrevem a geografia eleitoral, mas ressaltam que a estatística pura não prova, isoladamente, que os grupos paramilitares tenham direcionado ostensivamente a escolha dos moradores.

Segundo apontou a cobertura da agência Alma Preta, levantamentos como o do pesquisador Bruno Pantaleão, associado ao Centro de Estudos de Política e Economia do Setor Público da Fundação Getulio Vargas (FGV), mostram um padrão constante em que candidatos alinhados ao campo conservador tendem a performar acima da média em bairros controlados pelo crime organizado paramilitar.

​Para determinar se houve coação ou interferência direta sobre a liberdade de voto do morador em cada colégio eleitoral, são indispensáveis investigações e evidências fáticas apuradas pelas autoridades de segurança e pela Justiça Eleitoral.

​Contexto e histórico

​O debate sobre a influência do paramilitarismo no processo eleitoral traz à tona o histórico de declarações e condutas que marcaram a trajetória política fluminense. Em seus mandatos na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Flávio Bolsonaro chegou a defender publicamente a atuação de grupos de autodefesa e homenageou ex-policiais posteriormente acusados de integrar milícias, argumentando, à época, que as honrarias reconheciam suas atuações na corporação policial.

​Investigações recentes da Polícia Federal também apontaram o repasse de verbas via emendas parlamentares a projetos comunitários intermediados por investigados pela Justiça. A defesa do atual senador sustenta que a indicação de recursos segue rigorosamente todos os trâmites legais e técnicos da administração pública.

Apuração utilizou dados do portal Metrópoles, agência Alma Preta, e estudo Fogo Cruzado 

/GENI-UFF