Nave do Conhecimento da Pavuna promove a inclusão de políticas públicas através da tecnologia
Iniciativa pública disponibiliza cursos e workshops de conhecimentos tecnológicos a população periférica e do entorno
Foto Nave do conhecimento da Pavuna
A Nave do Conhecimento da Pavuna, localizada na rua Mal. Guilherme - nº 134, é um equipamento público da Prefeitura do Rio instalado em bairros da Zona Norte e Zona Oeste, com objetivo de democratizar o acesso ao conhecimento tecnológico. Aproximando os moradores da comunidade na promoção de cursos de capacitação e qualificação profissional, como informática, sistemas e softwares, além de conceitos de robótica e inteligência artificial.
O processo de digitalização social, fortalecimento das linhas de comunicação, educação, empreendedorismo e desenvolvimento humano, se estende quando pensamos na exclusão digital, nas barreiras tecnológicas e na inovação periférica. As zonas periféricas e comunidades onde o desenvolvimento da tecnologia se dá com certa lentidão, carecem de atenção na busca pela inclusão e bem-estar social.
Para o coordenador da Nave do Conhecimento Pavuna, Vinícius Côrtes, “o desenvolvimento tecnológico, ele é importante para o avanço da sociedade como um todo. Mas quando trazemos para o lado social, para um território favelado, eu acredito que a tecnologia e o equipamento que nós temos aqui no macro, é uma grande ferramenta no enfrentamento das desigualdades”.

Entendo que a tecnologia precisa trazer soluções para as pessoas, transformação social na melhora da qualidade de vida
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD contínua), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela cerca de 93,6% dos domicílios particulares permanentes possuem acesso à internet em 2024 (74,9 milhões de domicílios no país), comparado ao ano anterior. Porém, segundo a Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC domicílios), pesquisa do Centro Regional de Estudos e Desenvolvimento da Sociedade da Informação, apresenta um panorama da série propondo uma análise combinada de distintas dimensões capazes de produzir uma experiência online, satisfatória, segura e produtiva dos usuários de internet.
A TIC domicílios 2024 destaca dados de conectividade significativa (CS), termo destaque no Brasil durante a cúpula do G20, de acordo com a pesquisa, 34% da população brasileira apresenta o nível mais baixo de CS, para 22% com o nível mais alto. Além disso, por território, cerca de 24% dos indivíduos com proporção maior a faixa de CS se encontram em zonas urbanas, para 5% em relação a zonas rurais. As regiões Sul e Sudeste concentram maiores proporções no nível mais alto de CS, comparado às regiões Norte e Nordeste.
Outro ponto destaque do estudo TIC é o contato que os indivíduos têm, por meio das redes comunitárias no Brasil, estabelecidas principalmente em comunidades tradicionais (Indígenas, Ribeirinhas, Marisqueiras, entre outras) onde o nível de vulnerabilidade é alto com relação a conectividade significativa (CS), internet e fatores socioeconômicos. Ainda assim, a TIC domicílios aponta em seus dados que outras características influenciam no acesso íntegro e eficiente das tecnologias, como idade, gênero, raça e escolaridade. Englobando a percepção de como a favela acaba não fazendo parte do consumo, criação e contribuição tecnológica, impactando no desenvolvimento desses indivíduos.
Gabriel dos Santos Instrutor de Informática da Nave do Conhecimento Pavuna, acredita que “para combater esse estigma do olhar que muitos têm sobre nós, precisamos mudar nossa própria visão. Hoje muitos dos meus alunos podem me enxergar como exemplo, e isso é incrível”, relata. Assim como muitos dos jovens assistidos pela Nave, o instrutor já teve sua vida impactada pelo projeto como um agente transformador e de mudança, sendo hoje reconhecido por sua atuação profissional e competência. “Às vezes lidamos com jovens que vêm até nós, e buscamos demonstrar o peso do aprendizado através da oportunidade. O retorno também de alguém que conseguiu um emprego ou conseguiu abrir o seu próprio negócio é gratificante”, finaliza Gabriel.












