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Fim da SuperVia marca nova fase dos trens no RJ após quase 30 anos de operação

Depois de quase três décadas operando o sistema ferroviário do Rio de Janeiro, a SuperVia deixa oficialmente a administração dos trens metropolitanos do estado. A mudança encerra um dos capítulos mais marcantes e também mais criticados do transporte público fluminense.

Atualizado em 29/05/2026 às 17:05, por Lucas Feitoza.

 

A partir da nova concessão aprovada pelo Governo do Estado, os trens passam a ser operados pela Trens RJ, marca criada para substituir a SuperVia durante o processo de transição comandado pela Secretaria Estadual de Transporte e Mobilidade Urbana (Setram). O novo sistema será administrado pelo consórcio Nova Via Mobilidade.

A expectativa do governo é que a troca represente uma “modernização” do sistema ferroviário, que atende cerca de 300 mil passageiros por dia em 104 estações espalhadas por 12 municípios da Região Metropolitana.

Uma concessão marcada por críticas

A SuperVia assumiu a operação dos trens em 1998, após a privatização da antiga Flumitrens. Ao longo dos anos, a concessionária passou a enfrentar desgaste crescente entre passageiros por conta de problemas recorrentes no sistema.

Entre as principais reclamações estavam:

* atrasos constantes;
* intervalos longos;
* superlotação;
* falhas elétricas;
* estações degradadas;
* problemas de segurança;
* panes durante chuvas;
* dificuldades financeiras da empresa.

Em nota divulgada anteriormente, a própria Secretaria Estadual de Transportes reconheceu que os passageiros continuavam enfrentando “atrasos, desconfortos, paralisações e até acidentes”, mesmo após cobranças feitas pelo estado à concessionária.

O que muda agora?

O novo contrato prevê um modelo diferente de remuneração. Antes, a concessionária recebia de acordo com a quantidade de passageiros transportados. Agora, o pagamento será feito por quilômetro rodado, modelo que o governo afirma ser mais moderno e eficiente para melhorar a operação dos trens.

Segundo o estado, o sistema também não será transferido com as dívidas acumuladas pela SuperVia. Para isso, foi criada uma Unidade Produtiva Isolada Ferroviária (UPI Ferroviária), mecanismo usado para separar a nova operação dos passivos financeiros da antiga concessionária.

O contrato inicial terá duração de cinco anos, podendo ser renovado pelo mesmo período. A estimativa do governo é de investimentos de mais de R$ 660 milhões ao longo da nova operação.

Além disso, o Governo do Estado informou ter investido R$ 160 milhões nos últimos meses em melhorias emergenciais na infraestrutura ferroviária durante o processo de transição. As ações incluem manutenção da rede elétrica, obras na via férrea e modernização operacional.

Tarifa e Riocard seguem os mesmos

Para os passageiros, o funcionamento do Riocard Mais e do Bilhete Único Intermunicipal continua normalmente.

Atualmente, a tarifa cheia dos trens permanece em R$ 7,60. Já usuários cadastrados no Bilhete Único Intermunicipal seguem pagando R$ 5 na tarifa social.

A integração tarifária continua válida durante a fase de transição da operação.

O desafio da nova gestão

Apesar da mudança de marca e operador, especialistas apontam que os desafios continuam enormes. O sistema ferroviário do Rio possui cerca de 270 quilômetros de trilhos, cinco ramais e três extensões, além de décadas de problemas estruturais acumulados.

Entre as principais cobranças dos passageiros estão:

* aumento da frequência dos trens;
* climatização;
* melhorias nas estações;
* mais segurança;
* redução dos atrasos;
* integração com metrô e ônibus;
* manutenção da infraestrutura.

Enquanto a Trens RJ inicia sua operação assistida ao lado da SuperVia, milhões de passageiros seguem esperando uma mudança que vá além do nome estampado nos vagões.