Mostra Desengavetando exibe produções independentes premiadas na Areninha Cultural Terra, em Guadalupe
Sessão dupla, conta com filmes de Eduardo Hypolito e promove roda de conversa para debater as principais percepções do público
Acervo Mostra Desengavetando
No dia 30 de maio (sábado), a Areninha Cultural Terra, em Guadalupe, recebeu mais uma edição da Mostra Desengavetando. Com o objetivo de dar visibilidade a projetos engavetados e de artistas em ascensão, o encontro promove a exibição das comédias ‘Anti Amor’ (2025) e ‘Título Provisório' (2024). Ambas as obras levam a assinatura de Eduardo Hypolito na direção.
Para fomentar a reflexão, a memória e a resistência cultural, a mostra realizará, logo após a sessão, uma roda de conversa entre o público e a equipe realizadora dos curtas. O debate trará uma avaliação sincera sobre as interpretações e expectativas do público, além da valorização das produções audiovisuais independentes.
Roberto Costa, cineasta, roteirista e organizador da mostra, avalia que o evento foi impressionante. Com uma edição onde as produções foram maiores, mais profissionais e com artistas que produzem filmes em qualidade excelente. “Acho importante essa visibilidade, para que o artista possa compartilhar suas experiências e seu processo criativo. Proporcionando uma percepção de relação próxima com o público, e um retorno imediato do impacto que suas obras podem causar”, disse Costa.
Destaques da programação
A comédia romântica ‘Anti Amor’ acompanha um ator desiludido que decide gravar um filme para provar a inexistência do amor. No entanto, suas convicções mudam ao conhecer uma atriz que o faz repensar tudo o que sabia sobre o assunto. O curta foi uma adaptação da peça teatral, escrita por Lucas Machado e Rodri Mendes. Aclamado internacionalmente, a obra coleciona vitórias como do Florence Film Awards e do Paris Film Awards, e já integra o catálogo de plataformas de streaming como Prime Video e Claro TV+.
“A peça surge durante a pandemia numa vontade minha de escrever um texto maduro, com essa reflexão do homem que passa a não acreditar mais no amor. Embora seja uma ficção, o personagem principal apresenta muitas das minhas experiências, assim, eu tinha essa vontade de realizar algo para o audiovisual. Eu queria que esse universo fosse expandido, conversei com o Eduardo e criamos o curta”, afirma o ator e roteirista Lucas Machado.
Segundo ele, acredita que o filme conseguiu manter a essência principal do texto original. Encontrando o maior desafio de ‘Anti Amor’ na transformação da peça que possui 1 hora, em um curta de 28 minutos.
Já a comédia ‘Título Provisório’ narra a trajetória de três jovens cineastas frustrados com o mercado de trabalho audiovisual que decidem criar o próprio filme. Em busca de inspiração, o trio mergulha nas próprias vivências e nos grandes clássicos da sétima arte. A produção conquistou o 3º lugar no 1º Festival Territorial de Cinema Itinerante, evento dedicado ao reconhecimento de obras do Norte e Noroeste Fluminense.
Para o diretor Eduardo Hypolito, seus curtas surgem de uma inquietude na dificuldade de se fazer filmes independentes, da relação própria com a mensagem provocada pela sua arte e na sua representação. “Me peguei pensando ultimamente, será que se eu fizer somente comédia ao longo da vida, alcançarei a felicidade ou necessito fazer filmes de drama, filmes densos para que minha carreira seja considerada séria”, comenta Eduardo.
Por fim, o diretor de fotografia Leandro Pitote, reflete sobre o cuidado e zelo que toda equipe possui para entregar o melhor de seus trabalhos. Além de destacar a importância das leis de incentivo e dos editais na possibilidade de se criar, reinventar e fazer arte. “Poderíamos simplesmente utilizar o dinheiro e fazer algo totalmente descuidado. Mas nós nos empenhamos na responsabilidade e na qualidade de como gostaríamos que as pessoas recebessem nosso trabalho, entregamos o melhor com muito carinho e atenção, talvez seja isso que se reflete em nossas obras”, finaliza.












