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Moral de Cria: a história de Jack Favela e o projeto que transforma a infância no Complexo do Andaraí

Criado em 2018 a partir de uma simples festa para crianças da favela Sá Viana, o projeto se tornou uma ONG que hoje atende cerca de 150 crianças com atividades culturais, educativas e sociais.

Atualizado em 16/03/2026 às 11:03, por Rafael Santos.

Aos 40 anos, Jaqueline dos Santos, conhecida na comunidade como Jack Favela, é uma das criadoras do projeto Moral de Cria, iniciativa social que nasceu na favela Sá Viana, no Complexo do Andaraí, na Zona Norte do Rio. O projeto surgiu em 2018 a partir do desejo de resgatar
momentos de alegria e convivência que marcaram a infância de muitos moradores da região.

A ideia começou de forma simples: organizar uma festa para as crianças da comunidade, que há anos não tinham mais atividades voltadas para o lazer e a cultura dentro do território. Ao lado de Renata Sabendo, Rayane dos Santos e Renan Ferreira, Jack decidiu transformar a lembrança das
antigas festas da favela em uma nova oportunidade para as crianças da região.

“O Moral de Cria nasceu de uma vontade muito simples: devolver para as crianças da nossa favela a
alegria que a gente teve quando era pequeno

conta Jack Favela.


 

Foto: Jack Favela

A primeira Festa das Crianças marcou o início de um movimento que rapidamente ganhou força entre moradores e comerciantes locais. Com o passar dos anos, o evento se consolidou como um dos momentos mais aguardados pela comunidade, reunindo centenas de crianças para um dia de
brincadeiras, apresentações culturais e distribuição de alimentos e presentes.

Com o crescimento das ações e o apoio de voluntários, o Moral de Cria deixou de ser apenas uma festa anual e passou a desenvolver atividades culturais e educativas de forma contínua. Atualmente, o projeto oferece aulas de dança, capoeira e percussão, além de iniciativas culturais como o
cineclube popular Janela. Já, que leva sessões de cinema e debates para dentro da comunidade.

Outro destaque das ações é o tradicional “Natal com Papai Noel Mototáxi”, quando mototaxistas da região percorrem as ruas da favela levando brinquedos para as crianças. A iniciativa se tornou um símbolo da união e da criatividade da comunidade.

Segundo Jack Favela, os primeiros anos do projeto foram marcados por muitos desafios, principalmente pela falta de recursos financeiros e apoio institucional. Todas as ações dependiam da solidariedade de moradores, comerciantes e amigos que contribuíam com doações para que as
atividades acontecessem.

“No começo tudo era feito com a ajuda da própria comunidade. Cada doação, cada apoio fazia a diferença para que a gente conseguisse realizar as ações”, lembra a fundadora.

Em 2024, o coletivo deu um passo importante ao se formalizar como ONG Casa de Formação Profissional, Cultural e Cidadania Moral de Cria, ampliando as possibilidades de parcerias e participação em editais. Dois anos depois, em 2026, o projeto conquistou sua sede própria na Rua
Araxá, no Grajaú, fortalecendo ainda mais as atividades realizadas com crianças e adolescentes.

Hoje, cerca de 150 crianças participam semanalmente das oficinas culturais e educativas do projeto. Para muitas famílias da região, o Moral de Cria se tornou um espaço de convivência, aprendizado e proteção social, especialmente no período entre o fim da escola e o início da noite.

“Nosso sonho é que nenhuma criança da nossa comunidade se perca por falta de oportunidade. A gente quer que elas tenham acesso à cultura, educação e a novos caminhos para o futuro”, afirma Jack Favela.

Com planos de ampliar as atividades para adolescentes, incluindo formação profissional e cursos de tecnologia, o Moral de Cria segue crescendo e fortalecendo seu papel como um importante ponto de apoio para a juventude do Complexo do Andaraí. Mais do que um projeto social, a iniciativa se
tornou um símbolo de resistência, esperança e transformação dentro da favela.