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Moradores de Guadalupe fazem manifestação por uma UPA no bairro

Abaixo-assinado reivindicando a reativação de antiga unidade de saúde na Avenida Brasil já reúne mais de mil assinaturas.

Atualizado em 04/04/2026 às 11:04, por Núbia de Oliveira.

Moradores fazem protesto em frente a antiga Sandu em Guadalupe



No dia 28 de fevereiro (sábado), moradores de Guadalupe se reuniram em frente à antiga SANDU, desativada há cerca de 20 anos, para reivindicar uma Unidade de Pronto Atendimento no local. O ato foi organizado pela jornalista Fernanda Lima, que se colocou à frente da movimentação, chamando a comunidade a comparecer e assinar o abaixo-assinado para formalizar a vontade popular. Os manifestantes alegam que a localização do terreno, às margens da Avenida Brasil, facilitaria o acesso à saúde não só para os moradores do bairro, como também para pessoas de outros bairros da região. Além da facilidade em acessar o transporte público, os manifestantes pautaram também a questão da segurança, visto que a UPA em atividade mais próxima fica em uma área disputada por facções criminosas.

A poucos metros da estação Guadalupe do BRT, a visão é de um terreno completamente abandonado. É difícil acreditar que aquela entrada, com o portão simples e as paredes desbotadas cobertas de pichações, já abrigou o Serviço de Assistência Médica Domiciliar e de Urgência da Providência Social, mais conhecido como Sandu. As mais de duas décadas de abandono também se fazem visíveis no matagal que tomou conta do espaço, no lixo espalhado e no mau cheiro que é possível sentir mesmo sem adentrar o terreno. Para além do risco de proliferação de mosquitos por conta da água parada, os moradores reclamam também em relação à segurança visto que o terreno foi invadido e um ferro-velho está funcionando de forma clandestina em outra entrada.

A manifestação foi organizada principalmente pelas redes sociais, chamando os moradores para a ação por meio de grupos de Whatsapp e postagens no Facebook e Instagram. Também foi de forma online que teve início o abaixo assinado dessa causa, que já conta com mais de mil assinaturas e continua aceitando novas adesões. Além da divulgação nas redes sociais, o protesto também foi anunciado em um carro de som que circulou pelo bairro nos dias que antecederam o ato. A concentração teve início às 9 horas da manhã no sábado (28 de fevereiro) e os manifestantes se esforçaram para fazer barulho e serem ouvidos. Muitos levantavam cartazes com dizeres como “UPA já!”, “Queremos + saúde” e “Guadalupe pede socorro!”. Alguns dos moradores também pegaram no microfone para falar da importância de uma UPA no local, denunciar o descaso dos governantes com o abandono e dar seus depoimentos em relação à dificuldade de conseguir atendimento médico em unidades de regiões próximas. A manifestação foi noticiada pelo telejornal RJ1, da TV Globo. 

São inúmeros os relatos, de moradores de Guadalupe e de bairros vizinhos, de como o Sandu foi primordial para salvar vidas. A qualidade do atendimento e a oferta de remédios, sempre disponíveis para a população, são frequentemente destacados de forma saudosa. Uma das pessoas que sente a falta do serviço é Simone Cruz, técnica de enfermagem e mãe de uma mulher com microcefalia. Durante a infância, a filha de Simone precisava de cuidados médicos com frequência. "Uma vez eu trouxe minha filha quase desmaiada pra cá, era mais de meia noite. A médica atendeu muito bem e minha filha foi socorrida. Ela ia morrer, entendeu? Se eu não trago minha filha pra cá, minha filha tava morta. Eu fico triste porque isso aí tá abandonado. Abandonado!" Ela também destacou que o Sandu prestava um atendimento de ótima qualidade a todos e disse que a unidade foi fechada sem explicações ou consulta aos moradores: “Eu mesma já fui socorrida aí com pressão alta várias vezes. Era muito bom, eu não sei por que fecharam. Simplesmente falaram assim, do dia pra noite: vamos fechar o Sandu.”

Atualmente, é necessário deslocar-se até bairros vizinhos para conseguir atendimento médico. A UPA mais próxima fica em Costa Barros mas, além do deslocamento necessário para chegar até lá, a falta segurança é outro fator que preocupa quem precisa de socorro. A proximidade com o Complexo do Chapadão faz os moradores repensarem a ida até a UPA que, de acordo com a Prefeitura do Rio de Janeiro, é uma das unidades que mais sofre com a violência em toda a cidade. A UPA Costa Barros já foi afetada por tiroteios, sequestro de ambulância e uma invasão que paralisou o funcionamento da unidade por quase um mês, entre os dias 30 de setembro e 27 de outubro de 2025. 

Moradores levaram cartazes na manifestação e colaram no portão da antiga Sandu em protesto.

Pedido de reativação em 2014

O pedido pela reativação do espaço é uma demanda antiga da população, que pede pela volta da unidade de saúde desde que o Sandu foi desativado. A Indicação N° 3924, de agosto de 2014, representa uma oficialização do pedido popular para retomada dos serviços no terreno. Isso já faz quase 12 anos. Agora, a população se une com o objetivo de pressionar o poder público para que Prefeitura e Governo do Estado avaliem a possibilidade da construção de uma UPA no local. 

É importante ressaltar que o extinto Sandu era administrado pelo Governo Federal, que continua tendo posse do terreno, enquanto que as UPAs são distribuídas e administradas pelas prefeituras. A população local afirma que continuará lutando para que a demanda por uma unidade de pronto atendimento em Guadalupe seja atendida.