Debate sobre o filme Não Te Ouço destaca polarização, empatia e a busca pela verdade
Após a exibição do filme Não Te Ouço, dirigido por Caco Ciocler, o debate com o público aprofundou reflexões sobre polarização política, construção de narrativas e a dificuldade de diálogo em uma sociedade marcada por opiniões cada vez mais extremadas.
A obra acompanha a conversa entre um caminhoneiro e um apoiador de Jair Bolsonaro, personagens que representam visões distintas de mundo. No entanto, o filme evita enquadrá-los como símbolos de direita ou esquerda, buscando revelar a humanidade presente em cada indivíduo. Ao longo da narrativa, o caminhoneiro surge como alguém exausto pela rotina de trabalho e pelas dificuldades cotidianas, enquanto o outro personagem aparece imerso em discursos e opiniões construídas a partir de diferentes influências e percepções da realidade.
Durante o debate, uma das questões centrais levantadas foi: onde está a verdade? A discussão destacou como a internet, os recortes de informação e as bolhas sociais influenciam a forma como as pessoas interpretam os acontecimentos e constroem suas convicções. Nesse contexto, o filme propõe uma reflexão sobre a fragilidade das certezas e a importância da escuta.
Segundo os participantes, a intenção da obra não é oferecer respostas prontas nem defender uma posição política específica. Pelo contrário, o objetivo é provocar questionamentos sobre o senso de empatia, a humanização do outro e os limites dos julgamentos precipitados. A crítica social apresentada pelo filme se estende para além da política partidária, alcançando temas como democracia, patriotismo e a forma como a sociedade lida com opiniões divergentes.
Outro ponto destacado foi o processo de construção do filme, desenvolvido a partir de pesquisa de campo e observação da realidade. A proposta buscou compreender personagens reais em seus contextos, sem transformá-los em caricaturas. Dessa forma, Não Te Ouço convida o espectador a enxergar além dos rótulos e a refletir sobre como diferentes narrativas moldam a percepção coletiva.
Ao final, o debate reforçou que a obra não pretende encerrar discussões, mas abrir espaço para elas. Em um cenário marcado pela divisão de opiniões, o filme sugere que o exercício da escuta e da compreensão do outro pode ser um caminho para repensar as relações sociais e o próprio conceito de verdade.












