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Areninha Cultural Terra de Guadalupe: resistência e transformação do espaço periférico

Iniciativa cultural atua na desmarginalização dos territórios favelados ao valorizar suas expressões artísticas e sociais.

Atualizado em 29/01/2026 às 08:01, por Marcos Macário e Rafael Costa.

foto de um evento na Areninha Cultural Terra Guadalupe

Evento na Areninha Cultural Terra Guadalupe

Com mais de 20 anos, o projeto localizado na Av. Marcos de Macedo, em Guadalupe, antiga ‘Lona Cultural’, é um dos espaços coletivos espalhados pelo estado do Rio de Janeiro, com objetivo de aproximar a comunidade local e do entorno, com práticas sociais, educativas e de lazer. Espaço referência também em atendimentos públicos e eventos, como teatro, dança, música, feiras literárias e rodas culturais. Além de, atendimento e suporte à serviços sociais (clínicas e postos de saúde, CRAS e a 6ª CRE).

Para Jorge Conti, gerente da areninha, este equipamento cultural através de suas iniciativas contribuem para a circulação do comércio e da economia da região. A frente do projeto desde 2001, ano de inauguração do espaço, acredita que o caminho solidário em atender a comunidade é um ato revolucionário. 

Relembrou os momentos que inspiraram jovens a seguir carreira através da arte, “esse espaço, em especial um corredor aqui da areninha, é um local realizador de sonhos. Jovens que se desenvolveram tendo sua experiência pelas lonas culturais, encontraram uma apresentação de oportunidades que muitas vezes não enxergavam”, comentou.

Jorge Conti - Gerente da Areninha Cultural 


 

Yago Mamedes CEO da y2 MOTION, técnico de som e graduando em gestão pública, aos 22 anos, demonstra o impacto que a areninha cultural teve no seu crescimento profissional, pessoal e de sua família. “Graças à lona cultural, minha vida e meus pensamentos mudaram. Me ensinou técnica, empatia e memória transgressora”, disse. 

Parte da sua trajetória foi através do equipamento cultural, realizando diversas atividades socioculturais que o ajudaram a crescer com um olhar emancipador. Questionado em como agir frente aos desafios da sua comunidade, Yago admite que 

um trabalho informativo é essencial na transformação territorial, conscientizando a comunidade do entorno sobre as inúmeras possibilidades que a cultura dispõe

Revisitando sua ancestralidade, a necessidade e a resistência dos seus antepassados que lutaram por melhoria, ampliação e inclusão da periferia nos direitos, acessos e nos espaços públicos.


 

Yago Mamedes


Roberto Costa cineasta e roteirista, conta sua experiência enquanto morador do subúrbio na realização de projetos culturais e artísticos. Com uma trajetória marcada por desafios, ele indaga à dificuldade que encontrou em relação à incentivos na realização dos seus filmes. “Enxergo certa facilidade que alguns têm, com relação ao seu nome, status e/ou moradia, entrando no mercado de trabalho do audiovisual onde pessoas como eu não possuem essa facilidade”, porém reconhecendo a importância de correr atrás dos sonhos, através dos estudos e das experiências profissionais informais, além do apoio familiar. 
 

Roberto Costa conduzindo um workshop

Costa acredita que a continuidade dos projetos e espaços como o da lona cultural, é uma das formas de possibilitar “artes locais” à encontrar seus espaços, educando a comunidade. “É importante que o mundo veja, para nós enquanto periféricos, nos reconhecermos e aceitarmos contar histórias que refletem nosso cotidiano. Respeitando seu eu artístico, acreditando na democratização dos espaços e quebrando as visões elitistas”, finaliza. 

Desmarginalizar - abordado no sentido de deixar de marginalizar, ou seja, de retirar algo ou  alguém de uma condição de exclusão social, através de ações como a cultura e arte, que possibilitem uma posição inclusiva.