Areninha Cultural Terra de Guadalupe: resistência e transformação do espaço periférico
Iniciativa cultural atua na desmarginalização dos territórios favelados ao valorizar suas expressões artísticas e sociais.
Evento na Areninha Cultural Terra Guadalupe
Com mais de 20 anos, o projeto localizado na Av. Marcos de Macedo, em Guadalupe, antiga ‘Lona Cultural’, é um dos espaços coletivos espalhados pelo estado do Rio de Janeiro, com objetivo de aproximar a comunidade local e do entorno, com práticas sociais, educativas e de lazer. Espaço referência também em atendimentos públicos e eventos, como teatro, dança, música, feiras literárias e rodas culturais. Além de, atendimento e suporte à serviços sociais (clínicas e postos de saúde, CRAS e a 6ª CRE).
Para Jorge Conti, gerente da areninha, este equipamento cultural através de suas iniciativas contribuem para a circulação do comércio e da economia da região. A frente do projeto desde 2001, ano de inauguração do espaço, acredita que o caminho solidário em atender a comunidade é um ato revolucionário.
Relembrou os momentos que inspiraram jovens a seguir carreira através da arte, “esse espaço, em especial um corredor aqui da areninha, é um local realizador de sonhos. Jovens que se desenvolveram tendo sua experiência pelas lonas culturais, encontraram uma apresentação de oportunidades que muitas vezes não enxergavam”, comentou.

Yago Mamedes CEO da y2 MOTION, técnico de som e graduando em gestão pública, aos 22 anos, demonstra o impacto que a areninha cultural teve no seu crescimento profissional, pessoal e de sua família. “Graças à lona cultural, minha vida e meus pensamentos mudaram. Me ensinou técnica, empatia e memória transgressora”, disse.
Parte da sua trajetória foi através do equipamento cultural, realizando diversas atividades socioculturais que o ajudaram a crescer com um olhar emancipador. Questionado em como agir frente aos desafios da sua comunidade, Yago admite que
um trabalho informativo é essencial na transformação territorial, conscientizando a comunidade do entorno sobre as inúmeras possibilidades que a cultura dispõe

Roberto Costa cineasta e roteirista, conta sua experiência enquanto morador do subúrbio na realização de projetos culturais e artísticos. Com uma trajetória marcada por desafios, ele indaga à dificuldade que encontrou em relação à incentivos na realização dos seus filmes. “Enxergo certa facilidade que alguns têm, com relação ao seu nome, status e/ou moradia, entrando no mercado de trabalho do audiovisual onde pessoas como eu não possuem essa facilidade”, porém reconhecendo a importância de correr atrás dos sonhos, através dos estudos e das experiências profissionais informais, além do apoio familiar.

Costa acredita que a continuidade dos projetos e espaços como o da lona cultural, é uma das formas de possibilitar “artes locais” à encontrar seus espaços, educando a comunidade. “É importante que o mundo veja, para nós enquanto periféricos, nos reconhecermos e aceitarmos contar histórias que refletem nosso cotidiano. Respeitando seu eu artístico, acreditando na democratização dos espaços e quebrando as visões elitistas”, finaliza.
Desmarginalizar - abordado no sentido de deixar de marginalizar, ou seja, de retirar algo ou alguém de uma condição de exclusão social, através de ações como a cultura e arte, que possibilitem uma posição inclusiva.












