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Aos 9 anos, “Monstrinha” de Guadalupe leva jiu-jitsu e legado de família para o tatame

Alice Cardoso Lamego começou a treinar aos 3 anos depois de não se identificar com o ballet, e hoje soma títulos e o sonho de ser campeã mundial

Atualizado em 15/08/2026 às 14:08, por Rafael Santos.

Tem gente que descobre a paixão pelo esporte cedo. Alice Cardoso Lamego descobriu ainda menor de idade para muita coisa — com apenas 3 anos, depois de experimentar o ballet e perceber que aquele não era o seu caminho. “Minha primeira aula foi com uma equipe que não permaneço, mas foi muito bom, pois ali foi onde eu me encontrei”, conta a moradora de Guadalupe, hoje aos 9 anos e já com o título de campeã do bairro no currículo.

No tatame, ela ganhou um apelido que carrega bem o seu jeito de lutar: Monstrinha. O nome nasceu da força e da entrega que Alice sempre mostrou nos treinos, enfrentando meninos e meninas sem se intimidar. Quem batizou a atleta foi uma amiga, Hanna, e o apelido pegou.

A conquista do título de bairro, segundo Alice, ainda parece surreal. “Treinar tanto e ver seu resultado ali no pódio é inacreditável. Para mim, todo campeonato parece o primeiro sempre”, diz. Ela conta que a vontade de vencer nunca falta, mas sabe que todos os adversários também treinam duro — o que torna cada vitória mais especial.

Mais do que os resultados, é a rotina do tatame que move a menina. O jiu-jitsu, ela resume, é praticamente a sua vida: nos treinos ela extravasa tudo e encontra ali uma segunda família. Foi essa dedicação que a levou a realizar um sonho: disputar seu primeiro campeonato fora do país. Entre os golpes, o queridinho é o arco e flecha, movimento que ela adora aplicar nas lutas.

Alice não chega sozinha a lugar nenhum. Ao lado da família, que se esforça diariamente para realizar esse sonho junto, também contam parceiros de treino e professores que caminham com ela rumo aos objetivos dentro do tatame. E o horizonte é grande: a pequena atleta sonha em ser campeã mundial um dia e virar referência para outras crianças, assim como tantos nomes do esporte já são referência para ela.

Há ainda um propósito que atravessa gerações na família de Alice. Ela é bisneta do Profeta Gentileza, José Datrino, símbolo carioca de bondade e simplicidade — um legado que a menina pretende carregar cada vez mais longe através do esporte.

O pai de Alice, Raphael Lamêgo, acompanha de perto essa trajetória e não esconde o orgulho. Ele conta que faz questão de manter viva a história do bisavô para a filha, mesmo que ela não tenha chegado a conhecê-lo pessoalmente, passando adiante os ensinamentos de simplicidade e respeito ao próximo que atravessam a família. “Temos que ter memórias e levar o bem, a dignidade e o exemplo para o que virão”, resume.

Entre faixas, medalhas e uma história de família que atravessa o bairro, Alice segue treinando em Guadalupe com um objetivo claro: crescer no esporte sem deixar para trás os valores que aprendeu em casa.