Atleta do Complexo do Chapadão, Mannu Vieira transforma paixão pelo jiu-jítsu em sonho de chegar ao topo
Jovem atleta concilia escola, seis horas diárias de treino e competições em busca de uma carreira no esporte aos 12 anos de idade
Aos 12 anos de idade, a atleta Mannu Vieira já encara uma rotina que exige disciplina, dedicação e muita vontade de vencer. Moradora do Complexo do Chapadão, em Costa Barros, a jovem vem construindo sua trajetória no jiu-jítsu e já acumula títulos importantes desde que entrou no esporte.
O primeiro contato com a modalidade aconteceu quando Mannu tinha 10 anos, durante uma aula experimental. O que começou como uma experiência rapidamente se transformou em paixão. As primeiras competições também tiveram um papel importante para que ela percebesse que poderia ir além.
– Foi amor à primeira vista. Quando fiz minha primeira aula experimental, meus olhos já brilharam e comecei a gostar muito do esporte. As coisas começaram a ficar mais sérias quando ganhei meus primeiros campeonatos. A emoção de estar competindo, lutando por uma premiação, despertou uma chama em mim.
Desde então, a jovem passou a encarar o esporte com cada vez mais seriedade. Sua rotina começa cedo, com a escola, e segue até a noite. Depois das aulas, ela almoça, se prepara e parte para os treinamentos. São cerca de cinco a seis horas de treino por dia, entre a tarde e à noite.
A preparação acontece em uma academia chamada 220V, localizada em Mesquita, onde Mannu treina diariamente com a equipe de seu amigo e dono da academia, Daniel “220V”. De acordo com ela, conciliar estudos, treinos e competições é um desafio, mas a dedicação e a persistência têm sido o prato principal desse processo.

Entre as conquistas da jovem atleta de 12 anos, uma das mais marcantes foi o título do AJP Grand Slam 2025, um dos principais circuitos internacionais de jiu-jítsu. A competição ganhou um significado ainda maior porque Mannu reencontrou uma adversária para quem já havia perdido. Dessa vez, conseguiu vencer duas vezes, ambas por finalização, terminando o evento como campeã.
Antes das lutas, a atleta também criou sua própria maneira de controlar o nervosismo: música, concentração e pensamento positivo fazem parte do ritual que antecede a sua entrada no tatame.
Mannu tem como referências a atleta Gabi Pessanha e seu próprio parceiro de treinos, Daniel “220V”. E os objetivos para o futuro são ainda maiores: chegar ao topo da modalidade e conquistar reconhecimento internacional.
Para ela, representar a região onde vive também é uma motivação. Cada competição se torna uma oportunidade de mostrar que o talento pode surgir de qualquer lugar e que jovens das comunidades também podem ocupar espaços de destaque no esporte.
– É uma honra levar o nome da minha comunidade para o mundo e mostrar que onde eu vivo também tem gente de valor e talento, que pode conquistar o que quiser. É só acreditar. Eu almejo o topo e quero ser uma grande atleta conhecida mundialmente.

O apoio da família é fundamental
Por trás da rotina intensa da atleta, está também o apoio da família. Fernando César, pai de Mannu, acompanha de perto os treinamentos e as competições e percebeu o potencial da filha ainda nos primeiros torneios.
Segundo ele, a dedicação da atleta sempre chamou atenção, mas o caminho também exige esforço financeiro. Inscrições em campeonatos, viagens, transporte até a academia, alimentação e suplementação fazem parte dos custos de uma carreira esportiva.
— É muito difícil, pois os custos são altos para competições, viagens e locomoção para a academia todos os dias, já que moramos em Costa Barros e ela treina em Mesquita. Somos muito gratos pela equipe, que mudou a vida dela. Infelizmente, no nosso país, quem pode patrocinar muitas vezes não acredita em seu potencial, mas temos alguns parceiros que apoiam e assim vamos nos virando, tendo muita fé em Deus.
A família também estabeleceu uma prioridade: o esporte precisa caminhar junto com os estudos. Por isso, Mannu mantém o compromisso com a escola enquanto busca evolução dentro do jiu-jítsu.
Ainda no início de sua trajetória, Mannu segue construindo seu caminho no jiu-jítsu com um objetivo claro: chegar cada vez mais longe sem esquecer suas raízes.
Do Complexo do Chapadão para os tatames, a jovem quer mostrar que o sonho de se tornar uma grande atleta também pode nascer dentro de uma comunidade na Zona Norte do Rio de Janeiro.












