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Artista do Chapadão, MC GUT transforma vivência em música

Nascido e criado no Chapadão, MC GUT conta como transformou a vivência do bairro em música, e o que vem pela frente na carreira.

Atualizado em 03/09/2026 às 12:09, por Fernanda Lima e Leticia Lopes.

Mc Gut, Funk, Chapadão

Mc Gut na gravação de um clip.

O Chapadão não é só um bairro na trajetória de MC GUT, é a raiz de tudo. É lá que nasceram os sonhos, as amizades e a cultura que hoje o artista carrega para os palcos por onde passa. Em conversa exclusiva, ele relembrou o começo da carreira, falou sobre a responsabilidade de representar sua comunidade e revelou os planos para os próximos passos.

Os primeiros passos: dos bondes de dança à carreira solo

A história de MC GUT com o funk começou ainda em 2003, quando fazia parte de uma geração inteira que sonhava em fazer sucesso através dos bondes de dança. Foi um período de aprendizado e formação de identidade musical, mas o grande salto veio quase dez anos depois.

"Em 2012, comecei minha carreira solo como MC Gut Originall", conta o artista. Foi ali que aquele sonho de moleque começou a ganhar forma e se tornar realidade

O próprio nome artístico carrega essa história. "Gut vem de Gustavo, e Originall representa minha essência", explica. "Nunca quis ser cópia de ninguém. Minha voz, minha história e minha forma de fazer funk são minhas marcas."

 (Foto:reprodução/Instagram/@mcgut_originall) 

Chapadão: mais que um endereço, uma identidade

Para MC GUT, o bairro onde cresceu é inseparável de quem ele é hoje. "O Chapadão é minha raiz. Foi onde cresci, vivi, sonhei e aprendi a lutar", diz. "Carrego comigo as amizades, os bailes, a cultura e todos os sonhos daquela época."

Essa relação com a comunidade não fica só no discurso, ela pesa, literalmente, cada vez que ele sobe em um palco. "Quando subo no palco, não sobe apenas o MC Gut. Sobe o menino do Chapadão, minha família e toda uma geração que acreditou no funk. É uma responsabilidade enorme, mas também um orgulho."

Referências e processo criativo

Ao falar sobre suas influências, MC GUT reconhece a importância dos nomes que ajudaram a construir a cultura do funk. "Minhas maiores referências vêm do próprio funk, principalmente dos artistas que ajudaram a construir nossa cultura", afirma. Ele também busca inspiração fora do gênero, mas sempre com um filtro pessoal: "procuro transformar tudo em algo com a minha identidade."

Entre as faixas mais marcantes de sua carreira, ele destaca três. "'Quebra Pau', de 2012, representa o início da carreira solo. 'Localiza BB' e 'Safadalisticamente' também são muito importantes para o artista. “Cada música representa uma fase da minha caminhada."
 

 (Foto:reprodução/Instagram/@mcgut_originall) 


Família, memória e legado

Por trás da carreira, MC GUT faz questão de destacar quem o sustenta nos bastidores. Ele fala com carinho do incentivo da esposa, Tayane, e do orgulho dos filhos, "que nunca tiveram vergonha de ter pais funkeiros raiz". A conversa também trouxe um momento mais íntimo, ao mencionar a memória do irmão Arthur, já falecido, que compartilhava dos mesmos sonhos.

Quando pedimos para resumir toda essa trajetória em uma frase, a resposta veio direta: "Eu vim da favela, transformei meus sonhos em música e hoje quero transformar minha história em legado."

Quebrando estereótipos e inspirando a próxima geração

Um dos maiores objetivos de MC GUT com sua música vai além do entretenimento. "Quero mostrar que o Chapadão é muito mais do que os estereótipos. É lugar de trabalhadores, famílias, talentos, cultura e sonhos", declara.

E para quem está começando agora na música, ele deixa um recado direto: "Não tenham vergonha da origem de vocês. Eu comecei sonhando com um bonde de dança e continuo sonhando até hoje. Acreditem, estudem, trabalhem e não abandonem sua essência."

O que vem por aí

MC GUT adianta que a agenda está movimentada. Segundo ele, vem música nova por aí, "com uma referência forte à nossa favela", além de projetos sociais voltados para a comunidade do Chapadão. A intenção é clara: "Quero que minha música não seja apenas entretenimento, mas também caminho, inspiração e oportunidade para quem está começando."

Do bonde de dança ao palco, do Chapadão para onde o funk alcançar, MC GUT segue construindo uma carreira que carrega, em cada verso, a favela que o formou.

Minhas maiores referências vêm do próprio funk, principalmente dos artistas que ajudaram a construir nossa cultura. Também busco inspiração fora do funk, mas sempre procuro transformar tudo em algo com a minha identidade.

Tem alguma música sua que carrega um significado mais pessoal? Qual e por quê?

“Quebra Pau”, de 2012, representa o início da minha carreira solo. “Localiza BB” e “Safadalisticamente” também são muito importantes. Cada música representa uma fase da minha caminhada.

Se pudesse resumir sua trajetória em uma frase, qual seria?

“Eu vim da favela, transformei meus sonhos em música e hoje quero transformar minha história em legado.”

O que você gostaria que as pessoas soubessem sobre o Chapadão através da sua música? Tem alguma mensagem que você quer passar pros jovens que estão começando na área?

Quero mostrar que o Chapadão é muito mais do que os estereótipos. É lugar de trabalhadores, famílias, talentos, cultura e sonhos.

E para os jovens, digo: não tenham vergonha da origem de vocês. Eu comecei sonhando com um bonde de dança e continuo sonhando até hoje. Acreditem, estudem, trabalhem e não abandonem sua essência.Hoje também carrego o incentivo da minha esposa, Tayane, o orgulho dos meus filhos, que nunca tiveram vergonha de ter pais funkeiros raiz, e a memória do meu falecido irmão Arthur, que também sonhava com tudo isso.Em breve vem música nova, com uma referência forte à nossa favela e projetos sociais voltados para nossa comunidade. Quero que minha música não seja apenas entretenimento, mas também caminho, inspiração e oportunidade para quem está começando.